Foi o trabalho do artista plástico Vik Muniz, famoso por suas obras a partir de materiais como arame e sucata, que chamou a atenção da pequena Maria Antônia Sá, de 7 anos, que, junto com o pai, o arquiteto Marcos Sá, conseguiu transformar o lixo criando verdadeiras obras de arte com tampinhas de garrafas PET recolhidas na Praia de Ipanema.
A iniciativa, idealizada ao longo do ano passado, ajudou a colorir os três cômodos da casa. Pai e filha juntaram cerca de 1.200 tampinhas descartadas para montar quadros. Ao todo, são cinco obras, com desenhos de estrelas, luas e corações, que enfeitam o apartamento.
— Nós temos o costume de frequentar exposições, e isso, sem dúvida, ajudou a Maria Antônia a despertar esta sensibilidade para as artes. Há um tempo, após um jantar japonês em casa, ela juntou os fiapos de nabo e o molho shoyu que sobraram e fez um desenho incrível no prato. Ficamos surpresos e empolgados com a perspicácia da Maria. Meu objetivo é incentivar e atuar pedagogicamente, mostrando que fazer coisas legais tem o seu reconhecimento — conta o arquiteto.
A busca pelas tampinhas mostrou a Marcos Sá tendências de consumo da orla carioca. Segundo ele, algumas tonalidades são mais difíceis de encontrar. Um exemplo é a facilidade em achar tampas nas cores azul, referentes às garrafas de água, e vermelha, que correspondem a refrigerantes como Coca-Cola. Já as roxas e verdes, relativas a bebidas gaseificadas, segundo pai e filha, são mais escassas nas areias. Mesmo assim, eles não desanimaram e sempre que voltam do tradicional passeio pela orla, garantem uma sacola cheia de tampas.
— No início, eu achava uma loucura, pois eles traziam muito lixo para casa. Mas, depois, a iniciativa acabou virando um hábito para nós. É comum ver amigos e familiares recolhendo tampinhas por onde andam. Acho a iniciativa maravilhosa — comemora a arquiteta Patrícia Portella, mãe da pequena artista.
Fonte:
Globo