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Sinduscon-dfSegundo o IBGE, a indústria acelerou o ritmo de crescimento em fevereiro e já retornou ao nível de atividade de maio de 2008, registrando expansão de 1,5% ante janeiro e de 18,4% ante fevereiro de 2009, com destaque para o setor de bens de capital (1,7%) e um ligeiro arrefecimento em bens intermediários.

Depois de ter registrado uma queda de 7,6% no último quadrimestre de 2008 e 7,5% em 2009, a produção industrial promete uma taxa positiva entre 6% e 9,5% em 2010.

Pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) revela que dos 19 setores da indústria de transformação, 16 registraram aumento do uso da capacidade instalada em fevereiro deste ano em relação a fevereiro de 2009, quando ainda sob impacto da crise financeira.

E a recuperação mais vigorosa se deu nos setores de metalurgia básica, que passou de 70% para 83,2%; do parque automobilístico, que aumentou de 78% para 87,6%; e o de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que subiu de 74% para 81,6%. A experiência da crise revelou que a indústria nacional está preparada para crescer.

É bem possível, como adverte o Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que as metas de investimentos, previstas para 21% do PIB, neste ano não sejam atingidas (16,7% em 2008). O Governo está elaborando um novo modelo de concessões, a partir do setor ferroviário, visando a estimular os investimentos na infraestrutura. O BNDES continuará sendo o agente principal dessa ação.

A produção automobilística, carro chefe da indústria, está registrando impressionante expansão neste ano: produziu 331 mil veículos em março, 32,5% acima de fevereiro e 20,3% superior a março de 2009, acumulando no trimestre 24,4%. Algo semelhante ocorreu com o licenciamento; 60,1% , 30,3% e 7,9%, respectivamente.

No trimestre, as vendas de máquinas agrícolas subiram 51,9%, e as exportações, 58,8%. Inacreditável.

Segundo a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), as vendas da indústria do setor aumentaram 16,5% em março sobre fevereiro e 20,6% em relação a março de 2009. As vendas de cimento cresceram 20,6% no trimestre, em resposta aos incentivos fiscais e expansão dos financiamentos destinados à HABITAÇÃO popular. Em relação à safra 2008/2009, a atual revela um forte aumento de 7,3% na produção de açúcar e moderados e 1,4% em etanol.

O setor industrial vive grandes expectativas derivadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 e do Pré-Sal. Os investimentos chineses estão chegando.

Comércio As vendas do comércio varejista cresceram 1,6% em fevereiro, ante janeiro, e 12,3% em relação a fevereiro de 2009 (IBGE).
Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os shoppings venderam mais 14,4% no primeiro bimestre, em relação ao ano passado, com destaque para as áreas de lazer e cinemas (26,3%) e lojas de eletrodomésticos, sob efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A Fecomércio-RJ estima que as vendas do varejo neste trimestre estão crescendo acima de 10% em relação ao ano passado, com destaque para o fato de que 81,6% das famílias da Região Metropolitana do Rio estão com orçamento equilibrado ou superavitário (77,5% em 2009). O atraso no pagamento das contas fixas (água, telefone, condomínio, escola, etc.) caiu de 20,4% em 2009 para 18,6% neste ano. A forte expansão do comércio continua ancorada na expansão do crédito, nos ganhos do mercado de trabalho e nos incentivos fiscais. Os números são impressionantes, especialmente em alguns estados do Nordeste.

Em seu último Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central afirmou que "o comércio varejista não apenas deverá continuar registrando resultados positivos ao longo dos próximos trimestres, mas também que a expansão deverá se intensificar".

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as vendas reais dos supermercados, que haviam caído 6,3% em janeiro, voltaram a crescer 6,7% em fevereiro, acumulando alta de 7,7% em relação ao primeiro bimestre de 2009.

Os consórcios de carros e imóveis bateram recordes de venda no primeiro bimestre, com expansão de 5,5% e 46,4%, respectivamente. Em contrapartida, as vendas de consórcio de eletroeletrônicos caíram 28,3%. As vendas do comércio varejista de Pernambuco, a julgar pelo movimento da rede Eletroshopping, cresceram 20% no primeiro trimestre.

No setor de transporte aéreo doméstico, registrou-se expressivo aumento de 32% em março, sobre março/09 Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). É importante registrar que a "nova classe média" brasileira (classe C) chegou a 92,85 milhões, ampliando sua participação no total da população de 45% para 49%, enquantoasclassesDeEencolheram de 40% para 35%. Nos últimos cinco anos, 30 milhões de brasileiros ascenderam à Classe C.

Agricultura

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de grãos neste ano atingirá o recorde de 146 milhões de toneladas, 8,3% acima da safra anterior, devido ao favorável regime de chuvas. A produção de soja deve alcançar 67 milhões de toneladas (17,9%) com elevação de 6,8% da área cultivada, enquanto a área de milho terá aumento de 24,8% em Mato Grosso e 13,8% em Goiás.

Ainda segundo a Conab, haverá redução de área plantada de arroz, milho, feijão e algodão.

Com o aumento da produção, está previsto que a renda agrícola chegará a R$ 175,5 bilhões neste ano (R$ 164,9 bilhões em 2009), voltando ao nível pré-crise. O Banco do Brasil desembolsou em crédito rural R$ 26,4 bilhões, de julho de 2009 a março deste ano, sendo R$ 6,6 bilhões para agricultura familiar.

Mercado de trabalho Segundo o IBGE, o emprego industrial em fevereiro cresceu 0,6% sobre janeiro e 0,7% em relação a fevereiro de 2009, mas ainda acumula queda de 0,2% no primeiro bimestre, com destaque para São Paulo (alta de 1,4%). Entre os setores, foram os seguintes resultados; segmentos de papel e gráfica (8,2%), têxtil (4,6%) e alimentos e bebidas (1%). Doze das 18 áreas pesquisadas anunciaram contratações no mês.

O número de horas pagas na indústria aumentou 1,5% entre fevereiro e janeiro e 1,6% na comparação com fevereiro de 2009. A folha de pagamento real do setor teve ganho de 2,7% mês a mês e 2,8% ano a ano. Entre os setores que mais contrataram em fevereiro: serviços com 85.604, indústria de transformação com 63.024 e construção civil com 34.735.

Em março, o nível de emprego na indústria paulista subiu 2,05% ante fevereiro, sem ajuste sazonal (45 mil), e 1,64% sobre março de 2009, acumulando no ano 3,66% (79 mil). Destaques: produtos alimentícios com 25.623 vagas, petróleo e de biocombustíveis, com 5.795 postos e produtos de borracha e material pláticos, com 1.514.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o nível de desemprego na região metropolitana de São Paulo e mais seis capitais brasileiras aumentou de 11,8% em janeiro para 12,2% em fevereiro, porém, ainda ficou abaixo dos 13,5% de fevereiro de 2009.

O nível de emprego na construção civil aumentou 1,5% em fevereiro ante janeiro (mais 39.058 trabalhadores com carteira assinada). No acumulado dos primeiro bimestre, o emprego cresceu 4,14% (101.813).

Setor financeiro A captação líquida das cadernetas de poupança, em março, ficou em apenas R$ 538 milhões, mas o acumulado no trimestre chegou a R$ 4,2 bilhões. O Banco do Brasil reforçou sua caixa com captação de R$ 1 bilhão, mediante colocação de LFs no mercado interno.

No mercado de capitais, as emissões da dívida e ações somaram R$ 24,2 bilhões até março, montantequasetrêsvezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Para fazer face à rápida expansão dos empréstimos do BNDES, o Tesouro Nacional já adiantou R$ 180 bilhões e está efetivando a entrega de mais R$ 80 bilhões.

Inflação

A inflação, que ganhou força em janeiro e fevereiro, começou a arrefecer em março, com a queda do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) de 1,09% para 0,63%, do índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) de 1,18% para 0,94% e do Índice de Preços ao Atacado (IPA-DI) de 1,38% para 0,52%. No ano, o IGP-DI acumula alta de 2,76%.

Ainda pressionado por uma forte alta dos alimentos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,52% em março, abaixo do 0,78% de fevereiro, acumulando alta de 5,17%, em 12 meses. No primeiro trimestre, o IPCA subiu 2,06%.

Segundo o Dieese, o valor médio da cesta básica em 17 capitais, aumentou em fevereiro, com destaque para São Paulo (10,5), Recife (9,7%), João Pessoa (7,5%) e Brasília (9%). No Rio de Janeiro, segundo a FecomércioRJ, o custo da cesta básica, no primeiro trimestre, teve aumento de 6,45%, devido à alta dos alimentos, frutas, legumes e verduras ocasionada pelas fortes chuvas (choque de oferta). Em São Paulo, segundo a Fecomércio-SP os produtos alimentícios subiram de preço 1,37%, em março. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do FIPE-SP encerrou o mês de março com alta de 0,34%, ante 0,74% em fevereiro.

Setor fiscal

O governo central apresentou déficit de R$ 1,1 bilhão em fevereiro, depois de ter registrado superávit de R$ 13, bilhões em janeiro. O déficit de fevereiro foi puxado pelas contas da Previdência, que encerraram o mês com saldo negativo de R$ 3,8 bilhões.

No bimestre, porém, o governo central obteve superávit de R$ 12,8 bilhões, o equivalente a 2,45% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos últimos doze meses encerrados em fevereiro, o superávit primário atingiu R$ 49,1 bilhões (1,54% do PIB). A meta para este ano é de 2,15%.

Em consequência, no bimestre, o governo reservou (superávit primário) apenas R$ 17 bilhões para pagar R$ 28,1 de juros, resultando um déficit nominal de R$ 11,1 bilhoes (2,12% do PIB).

Como assinalamos em trabalho anterior, daí resultou o saldo da dívida pública de R$ 2.015,6 bilhões, R$ 42,2 bilhões acima do saldo em dezembro de 2009.

O governo federal decidiu fazer um represamento de gastos de R$ 29,1 bilhões, dos quais R$ 17,9 bilhões de investimentos.

Há em curso no Congresso Nacional, vários projetos que poderão agravar as contas públicas, entre os quais um que flexibilize a lei de Responsabilidade Fiscal, que promove um reajuste dos aposentados acima da inflação e que acaba com a contribuição previdenciária dos aposentados.

Esta último, de caráter retroativo a 1991, poderá representar perda de R$ 14 bilhões para o INSS.

Setor externo As exportações, no mês de março, atingiram US$ 15,7 bilhões e as importações US$ 15,1 bilhões, acumulando no trimestre US$ 39,2 bilhões (25,8%) e US$ 38,3 bilhões (36%), respectivamente.

O saldo da balança comercial ficou em US$ 895 milhões, cerca de 30% do saldo de março de 2009.

A Vale não só conseguiu impor aos compradores de minério de ferro a duplicação do preço de venda (US$ 160/CIF p/ton), como a sua revisão contratual a cada três meses. Em conseqüência, o faturamento de US$ 12 bilhões em 2009 deverá subir para US$ 22 bilhões neste ano, melhorando consideravelmente as previsões da balança comercial. No primeiro trimestre, as exportações da Vale aumentaram 25,7%.

No campo internacional, há um certo alívio financeiro, na medida em que a União Europeia mobilizou 30 bilhões de euros para socorrer a Grécia e estabilizou a cotação do euro.

Nos Estados Unidos, o déficit fiscal de março atingiu US$ 65,4 bilhões, mas o déficit externo mensal continua abaixo de US$ 40 bilhões, as vendas no varejo cresceram e foram criadas 162 mil vagas de trabalho.

Jornal do Brasil - RJ
Ernane Galvêas

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