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Preço do litro da gasolina cai R$ 0,06 e o do álcool, R$ 0,16. Empresários admitem que a queda nas vendas forçou redução do valor cobrado


Fotos: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press

Diante da baixa no movimento, os postos recuam da decisão de aplicar aumentos sucessivos, mesmo sem redução do preço cobrado pelas distribuidoras

 

Após espantarem os clientes com sucessivos aumentos nas bombas, os donos de postos de combustíveis do Distrito Federal decidiram baixar os preços. A semana começou com novos valores em cidades como Taguatinga, Samambaia, Gama, Park Way, Recanto das Emas e Núcleo Bandeirante. Os empresários alegam que se viram sem saída ao constatarem uma queda significativa no movimento desde o início do ano. O setor é alvo de investigações por parte do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e do Ministério da Justiça, que apuram denúncias de formação de cartel e preços abusivos.

Os preços caíram, ontem à tarde, em cerca de 35 dos 91 postos da Rede Gasol — a maior do mercado e, por isso, a que tem poder de influenciar a tabela das demais redes. O litro da gasolina saiu de R$ 2,73 para R$ 2,67, uma diferença de R$ 0,06. O litro do álcool passou a custar R$ 0,16 a menos, chegando a R$ 2,19. “O movimento estava um desastre. Queremos trazer os consumidores de volta aos postos”, comentou o presidente da Gasol, Antônio Matias.




Lei de mercado

Segundo o empresário, não houve alteração nos valores cobrados pelas distribuidoras. A redução nas bombas nada mais é, sustenta ele, que um reflexo da lei da oferta e da procura. “Não estávamos vendendo quase nada, estava um desastre”, reforçou Matias. Ele adiantou que até o fim da semana os novos preços estarão em vigor em todos os postos da rede. Por enquanto, os estabelecimentos do Plano Piloto não aderiram à nova tabela.

Em Taguatinga, é possível encontrar o litro da gasolina a R$ 2,57 e o do álcool a R$ 2,08. “Não existe uma tendência de queda, vai depender do preço das distribuidoras nas próximas semanas. Mas o mercado é dinâmico”, afirmou Carlos Alberto Recch, dono de posto no centro da cidade, onde os preços caíram no domingo: a gasolina saiu de R$ 2,76 para R$ 2,66, e o álcool de R$ 2,20 para R$ 2,17. Ontem à tarde, carros faziam fila para abastecer, cena inédita em 2010, segundo os frentistas.

O comerciante Clécio Gonçalves Rodrigues, 35 anos, se espantou quando o viu o preço mais baixo na bomba. “Abaixou mesmo!”, surpreendeu-se, ao pagar R$ 12 de gasolina para sair da reserva. “Com esse preço, volto mais tarde para encher o tanque”, planejou. “Vou colocar só R$ 50 porque tenho a esperança de que pode abaixar ainda mais”, contou a pedagoga Elizabeth Aguiar, 49.

Um posto do Grupo Brasal no Pistão Sul lançou uma promoção no início da tarde de ontem, informada pelo Twitter. Teoricamente até as 22h, a gasolina seria vendida a R$ 2,57 e o álcool, a R$ 2,08. Ao saber que outros postos também tinham baixado o preço, o gerente José Carlos Martins se adiantou: “Então, vamos esperar. Se a concorrência abaixou, vamos abaixar também”.

Na avaliação de Charles Guerreiro, coordenador do Movimento contra a Cartelização de Combustíveis do DF, os novos valores são resultado da pressão popular. “Os empresários estão acuados”, disse. Ele acredita que os postos do DF passaram a vender menos por causa do boicote proposto pelo grupo, que organiza carreatas toda semana até a divisa com o Goiás, onde os preços são mais baratos. O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos e de Lubrificantes do DF (Sinpetro-DF) não se manifestou sobre a redução dos preços.

POSTOS EM SUPERMERCADOS NA PAUTA DO STF

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve voltar ao trabalho na primeira semana de março, após um período de licença médica. Está nas mãos dele a decisão que pode derrubar a lei que proíbe a instalação de postos em supermercados do DF.

 

Fonte: Correio Braziliense

 


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